Há materiais que parecem completos no primeiro dia. Há outros que só começam a se revelar depois. A madeira muda de tom, a pedra registra o uso e os metais ganham uma superfície menos uniforme. Essas mudanças fazem parte da experiência de um lugar.

Pensar a materialidade de um projeto é também imaginar como ele será habitado. Onde as mãos vão tocar, por onde o sol vai entrar, quais peças poderão ser reparadas. A escolha não termina na cor ou na textura da amostra.

Interessa-nos uma arquitetura capaz de receber essas marcas. Isso pede encontros bem resolvidos, materiais adequados a cada uso e espaço para manutenção. O desenho cuidadoso permite que o tempo acrescente, em vez de apenas desgastar.

Uma casa não precisa permanecer igual para continuar fazendo sentido. Quando a matéria acompanha a vida, os sinais de uso se tornam parte da identidade do espaço.

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